Como ensinar aos filhos a importância de dividir

Redação Por: Redação

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Publicado em 20/12/2018 13:28h

Como ensinar aos filhos a importância de dividir

Imagem: Reprodução/Google

Por Creche da Emilia

Compartilhar é algo difícil até para os adultos, imagine só para quem ainda está formando a personalidade. Lembre-se da sua infância: se você tem vários irmãos, quantas vezes não garfou o bife antes do outro? Ou se escondeu no quarto com aquele brinquedo especial para não ter que emprestar? Faz parte do instinto de preservação querer guardar o que é seu. “Mas é também parte do processo normal de desenvolvimento infantil aprender a dividir. Isso implica empatia, habilidade de se colocar no lugar do outro”, diz a psicoterapeuta familiar e de casal Claudia Bruscagin. A consciência da necessidade de compartilhar começa a surgir na criança somente após os 6 anos. “Mas antes disso ela pode ser condicionada a dividir, sem compreender a real importância desse ato”, diz Claudia. Entenda como o pequeno lida com o compartilhar em cada idade e de que forma os pais podem ajudá-lo:

De 0 a 1 ano

O bebê explora os objetos e tenta entender que eles são diferentes, mas ainda não sabe se aquilo é seu. “O conceito de dividir já pode ser introduzido aos poucos. É bom mostrar que o outro também existe e tem necessidades. Ele percebe isso quando a mãe se ausenta para comer ou tomar banho e é importante preservar esses momentos de afastamento”, diz a psicóloga Ana Lúcia da Costa Rafael.

De 2 a 4 anos

É a fase do é meu. A criança passa a ter consciência de que ela é um ser diferenciado dos outros e da própria mãe. Acha que tudo o que a rodeia é dela. Logo descobre o eu, por isso, nesse período é comum falar pega eu, isso é meu. Para a neuropsicóloga Ana Paula Cuoccolo Macchia, do ABC Aprendizagem Centro Interdisciplinar, é nessa fase que os pais cometem os principais erros. “Isso porque eles acham graça quando a criança liga o DVD, o som, a tevê, ou seja, objetos que não são dela, impedindo a criança de saber diferenciar o que lhe pertence ou não. É preciso mostrar que aquilo não é dela para que ela aprenda a respeitar o alheio”, diz.

De 5 a 6 anos

Surge a necessidade de ter companheiros para jogar e começa o interesse por fazer parte de um grupo. É quando, realmente, as crianças tendem a compreender o conceito de dividir. Nessa hora, cresce a importância do exemplo dos pais. “E isso pode vir de coisas bem simples, como a mãe dizer: ‘Olha, o papai está compartilhando o travesseiro comigo’, ou ‘Vou dividir esse sorvete com o papai'”, exemplifica a psicoterapeuta familiar Claudia Bruscagin. ?Outra boa ideia é mandar um lanchinho a mais na mochila da escola para que a criança possa oferecer aos coleguinhas?, complementa a expert.

Com quem dividir?

Para o filho único desenvolver a capacidade de compartilhar pode ser mais difícil, pois ele não tem com quem treinar essa habilidade dentro de casa. “Os adultos podem até tentar representar esse papel, mas costumam ser mais indulgentes e cedem facilmente”, diz Claudia Bruscagin. A saída, então, é garantir o contato com outras crianças e, nas situações do dia a dia, incentivar a abnegação. ?Uma boa atitude é separar uma camiseta ainda nova e falar ‘você cresceu, que tal darmos para o seu primo?'”, diz Ana Paula Cuocollo Machia. Muitas vezes é exatamente o fato de ter muitos irmãos que estimula a posse. No geral, isso acontece quando a rivalidade entre eles é estimulada pelos pais, favorecendo uma das crianças.

Sem exageros

Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar. Algumas crianças sentem a necessidade de dividir tudo o tempo todo. “Muitas vezes, com esse comportamento, estão apenas tentando ser aceitas ou queridas por seus pares. É como se repartir comprasse o seu ingresso para o mundo do outro, atitude típica de baixa 

autoestima infantil”, diz Claudia Bruscagin. “É comum, inclusive, isso ocorrer com filhos únicos, que tentam, assim, abrir o seu espaço no grupo, uma vez que não desenvolveram habilidade suficiente para fazer de outro modo”, completa. Tal situação pode ser sinal também de que o pequeno não é apegado a questões materiais. “E isso não constitui problema algum, desde que não configure abuso por parte de outras crianças, ou falta de cuidado com as próprias coisas”, afirma Gabriel Lopes.

 

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