De forma clandestina, Lindôra Araújo tenta obter informações sigilosas da Lava Jato.

Redação Por: Redação

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Publicado em 27/06/2020 21:02h

De forma clandestina, Lindôra Araújo tenta obter informações sigilosas da Lava Jato.

A subprocuradora-geral da República, Lindôra de Araújo, responsável pela investigação de compras de respiradores pelo Governo do Pará, está sendo alvo de uma polêmica após tentar obter dados sigilosos da Operação Lava Jato, nos Estados onde a Força-Tarefa atua.

A força-tarefa da Lava Jato no Paraná acionou a Corregedoria do Ministério Público Federal. O motivo foi um pedido da Procuradoria-Geral da República para obter acesso a dados da operação.

Os 14 procuradores que integram a Lava Jato em Curitiba enviaram um ofício à corregedoria depois da visita da subprocuradora-geral da República, Lindora Maria Araújo, ao grupo na quarta (24) e na quinta-feira (25). Lindora é a chefe da Lava Jato na PGR e uma das auxiliares mais próximas do procurador-geral, Augusto Aras.

Segundo a força-tarefa do Paraná, ela “buscou acesso a informações, procedimentos e bases de dados em diligência efetuada sem prestar informações sobre a existência de um procedimento instaurado, formalização ou escopo definido”.

De acordo com os procuradores, questionada se havia razão específica para a análise do acervo, Lindora afirmou que “a corregedora-geral do Ministério Público, Elizeta Paiva, deveria estar na reunião junto com ela, mas não pôde comparecer em razão de um problema de saúde, e acrescentou que gostaria de verificar qual foi o tratamento dado às pendências: se viraram notícias de fato, denúncias ou foram arquivadas”.

Os procuradores afirmaram no ofício que a equipe de Lindora discutiu na reunião que tipo de dados poderiam ser transferidos à PGR e que o coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, disse à subprocuradora que “a transferência é possível, ressaltando a importância de se cercar das cautelas jurídicas adequadas para evitar questionamentos e arguição de nulidades sobre informações e provas”.

Os procuradores consideraram os pedidos inusitados e estranharam que não havia nada formalizado no papel sobre os pedidos específicos para Curitiba, como é a praxe. Por isso, questionaram a corregedora-geral, Elizeta Paiva, se havia algum embasamento para o acesso aos dados – parte deles envolvia informações sigilosas.

Na resposta, segundo a força-tarefa, ”a corregedora informou que não há qualquer procedimento ou ato no âmbito da corregedoria que embase o pedido de acesso da subprocuradora-geral aos procedimentos ou bases da força-tarefa. Informou ainda que eventual embasamento para o pedido de acesso deveria ser indagado à subprocuradora-geral”.

Os procuradores relataram ainda que a subprocuradora Lindora Maria Araújo expressou indignação quando soube que a corregedora foi consultada. E pediu que a força-tarefa formalizasse que havia negado acesso a informações.

Os procuradores concluíram o ofício dizendo que “não houve recusa a nenhum pedido de acesso justificado a dados, mas também não houve justificativa de nenhuma natureza para o pretendido acesso, que se assemelha mais a uma correição extraordinária, oficiosa, por quem não possui atribuições correcionais e não agiu em delegação da Corregedoria-Geral”.

A PGR também pediu para acessar dados das forças-tarefas da Lava Jato no Rio de Janeiro e em São Paulo. As informações solicitadas incluem relatórios financeiros, dados de autoridades e documentos de buscas e apreensões.

Em nota, a Procuradoria-Geral da República disse que a subprocuradora Lindora Maria Araújo fez a visita na condição de coordenadora da Lava Jato e que, desde o início das investigações, há um intercâmbio de informações entre a PGR e as forças-tarefas nos estados.

Segundo a PGR, a visita foi previamente agendada há cerca de um mês e se tratava de uma visita de trabalho que visava a obtenção de informações globais sobre o atual estágio das investigações.

A Procuradoria afirmou que não se buscou compartilhamento informal de dados, e que a solicitação de compartilhamento de dados foi feita por meio de ofício, datado de 13 de maio, e confirmou que pedido semelhante foi enviado às forças-tarefas de São Paulo e do Rio. Por último, a PGR ressaltou que os assuntos da reunião de trabalho, como é o normal na Lava Jato, são sigilosos.

Depois do pedido da PGR para ter acesso a dados das forças-tarefas, três procuradores decidiram deixar a Lava Jato na Procuradoria-Geral da República: Hebert Reis Mesquita, Luana Vargas e Victor Santos. Fontes informaram ao Jornal Nacional que eles já discordavam de outras atitudes da subprocuradora Lindora, e que o episódio que veio à tona nesta sexta-feira (26) foi a gota d'água.

 Por: Willian Salles – É Notícia Pará

Com informações de: Jornal Nacional

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